28/12/2015

HIPOPÓTAMO






O hipopótamo comum  (HIPPOPOTAMUS AMPHIBIUS) é um mamífero herbívoro de grande porte da África subsariana e uma das duas únicas espécies não extintas da família HIPPOPOTAMIDAE, sendo a outra o hipopótamo-pigmeu  (CHOEROPSIS LIBERIENSIS ou HEXAPROTODON LIBERIENSIS). O seu nome provém do grego antigo, significando "cavalo do rio" (ἱπποπόταμος). Apesar das suas semelhanças físicas com os porcos e outros ungulados ARTIODÁTILOS  (sendo por isso designado de animal porcino ), os seus parentes vivos mais próximos são os cetáceos  (baleias, os golfinhos, etc.) dos quais divergiram há cerca de 55 milhões de anos. O antepassado comum das baleias e dos hipopótamos demarcou-se dos outros ARTIODÁTILOS há cerca de 60 milhões de anos atrás. O fóssil mais antigo conhecido de hipopótamo, pertencente ao género KENYAPOTAMUS em África, data de cerca de 16 milhões de anos atrás. Já foi designado como cavalo-marinho e peixe-cavalo .
O hipopótamo-comum é reconhecível pelo seu torso em forma de barril, bocas com grande capacidade de abertura revelando grandes presas caninas, corpo quase glabro (sem pelos), patas em forma de coluna e pelo seu grande tamanho. As patas terminam com quatro dedos distintos com membrana interdigital. Cada dedo assenta no solo pelo seu respetivo casco . Constituem o terceiro maior animal de vida terrestre no que diz respeito ao peso (entre 1½ e 3 toneladas): as únicas espécies em média mais pesada são os rinocerontes-brancos e os rinocerontes-indianos, bem como os elefantes. Tem um comprimento, em média, de 3,5 m e uma altura de 1,5m . O hipopótamo é um dos maiores quadrúpedes e, apesar do seu aspeto entroncado e patas curtas, consegue facilmente ultrapassar um ser humano. Há registos de velocidades de 30 km/h atingidas por hipopótamos em curtas distâncias. É um animal altamente agressivo e de comportamento imprevisível, sendo considerado um dos animais africanos mais perigosos. Contudo, são uma espécie vulnerável devido à perda dos seus habitats e devido à caça pela sua carne, dentição canina de marfim e pela sua pele.
É um animal semiaquático que habita as margens de rios, lagos e pântanos do género dos mangais, podendo mesmo chegar às águas salobras dos estuários, onde um macho dominante preside sobre um troço de rio onde agrupa entre cinco a trinta fêmeas e jovens crias. Durante o dia, mantêm o corpo fresco ficando na água ou na lama; tanto o acasalamento como o parto ocorrem na água. Emergem dela ao anoitecer para se apascentarem na erva. Ainda que se mantenham perto uns dos outros na água, a pastagem é uma atividade solitária, não tendo hábitos territoriais em terra seca.
Questões linguísticas
A palavra "hipopótamo" deriva do grego antigo ἱπποπόταμος, HIPPOPOTAMOS, reunindo os étimos ἵππος, HIPPOS, "cavalo", e ποταμός, POTAMOS, "rio", o que resulta na expressão "cavalo do rio". Em português, como a palavra hipopótamo é um nome epiceno  (só tem uma forma), o seu feminino é hipopótamo fêmea . Em inglês, o plural de "HIPPOPOTAMUS" é HIPPOPOTAMUSES, embora também se possa usar a palavra "HIPPOPOTAMI". "HIPPOS" pode ainda ser usado como plural abreviado. O hipopótamo é um animal gregário, vivendo em grupos que podem atingir o número de 30 espécimes. A estes grupos (nome coletivo) dá-se o nome de manada .
Em África, os hipopótamos são designados por diversos nomes incluindo  SEEKOEI (africâner), MVUVU (Venda), KUBU (LOZI) e MVUBU (XHOSA, SUÁZI e Zulu) no sul do continente; KIBOKO(SWAHILI), ensherre (runyankole), tomondo (Turu), nvubu (Luganda), ifuru (lUHYA), emiria (ateso), MAGAWIT (SEBEI), KIBEI (KALENJIN) e OLMAKAU (MAASAI) na região dos Grandes Lagos;[10] e ጉማርረ/GUMARRE (amárico) e JEER (somali) no Corno de África.
Taxonomia e origens
Classificação
Os hipopótamos constituem o género tipo da família HIPPOPOTAMIDAE. O hipopótamo-pigmeu pertence a um género diferente da família HIPPOPOTAMIDAE  (HIPOPOTAMÍDEOS ), ou CHOEROPSIS ou HEXAPROTODON. Por vezes é usada a subfamília HIPPOPOTAMINAE. Alguns taxonomistas agrupam ainda os hipopótamos e os ANTRACOTERÍDEOS na superfamília ANTHRACOTHEROIDEA. Os HIPPOPOTAMIDAE estão classificados juntamente com outros ungulados com um número par de dedos na ordem ARTIODACTYLA. Outros ARTIODÁTILOS incluem os camelos, os bovinos, veados e porcos, ainda que os hipopótamos não estejam relacionados filogenicamente com estes grupos.

Um hipopótamo-pigmeu (CHOEROPSIS LIBERIENSIS).
Há cinco subespécies de hipopótamos descritas com base em diferenças morfológicas:
• H. a. AMPHIBIUS  – (o nome não abreviado refere-se à subespécie) cuja distribuição ia do Egito, onde estão agora extintos, a sul do Rio Nilo, à Tanzânia e Moçambique;
• H. a. KIBOKO  – no Quénia, na região dos Grandes Lagos, e na Somália, no Corno de África. Apresentam narinas mais largas e a zona interorbital mais nitidamente côncava;
• H. a. CAPENSIS  – da Zâmbia à África do Sul, com o crânio mais achatado de todos;
• H. a. TSCHADENSIS  – ao longo da África Ocidental até, tal como o nome sugere, ao Chade: um pouco mais baixo e com face mais larga e órbitas proeminentes;
• H. a. CONSTRICTUS  – em Angola, na região meridional da República Democrática do Congo e da Namíbia: assim designado devido à sua profunda constrição preorbital;
Estas subespécies nunca foram amplamente utilizadas ou validadas por biólogos no seu trabalho de campo; as diferenças morfológicas descritas são tão pequenas que podem resultar de uma mera variação em exemplares não representativos. Análises genéticas testaram a existência de três destas putativas subespécies. Um estudo que examinou DNA mitocondrial de biópsias da pele extraídas de 3 localizações de amostragem, consideraram a diversidade genética e sua estrutura entre hipopótamos através do continente. Os autores encontraram alguma diferenciação genética, baixa, mas algo significativa, entre as subespécies H. a. AMPHIBIUS, H. a. CAPENSIS, e H. a. KIBOKO. Nem a subespécie H. a. TSCHADENSIS  nem a H. a. CONSTRICTUS foram testadas.
Evolução
Até 1909, os naturalistas agrupavam os hipopótamos juntamente com os porcos, baseando-se em padrões dos dentes molares. Várias linhas de evidência, em primeiro lugar pelas proteínas do sangue, depois pela sistemática molecular , ADN  e pelo registo fóssil, demonstram que os seus parentes mais próximos atuais são os cetáceos (baleias, golfinhos, etc.). Os antepassados comuns dos hipopótamos e das baleias ramificou-se em ramo separado dos ruminantes e dos restantes ungulados com patas com número par de dedos; as linhagens dos cetáceos e dos hipopótamos divergem pouco depois.

   CETARTIODACTYLA
TYLOPODA


   ARTIOFABULA
SUINA  


   CETRUMINANTIA
RUMINANTIA


   WHIPPOMORPHA
HIPPOPOTAMIDAE


CETACEA











ANTHRACOTHERIUM MAGNUM DOOLIGOCENO europeu.
A teoria mais recente sobre as origens dos HIPPOPOTAMIDAE sugere que os hipopótamos e as baleias partilharam um antepassado semiaquático cuja linhagem se separou dos outros ARTIODÁTILOS há cerca de 60 milhões de anos. Este hipotético grupo antepassado ter-se-á dividido em dois ramos há cerca de 54 milhões de anos. Um dos ramos terá dado origem aos cetáceos provavelmente há cerca de 52 milhões de anos, com a PROTOBALEIA PAKICETUS e outro grupo de baleias ancestrais conhecidas coletivamente como ARCHAEOCETI, que terão passado por uma adaptação aquática secundária até dar origem aos cetáceos verdadeiramente aquáticos. O outro ramo deu origem aos ANTHRACOTHERIIDAE  (ANTRACOTERÍDEOS), uma grande família de quadrúpedes, cujo grupo mais antigo datará do Eoceno tardio, e que se assemelharia a hipopótamos magros com cabeças comparativamente mais pequenas e estreitas. Todos os ramos dos ANTRACOTERÍDEOS, exceto o que deu origem aos HIPPOPOTAMIDAE, extinguiram-se durante o Plioceno sem deixar quaisquer descendentes.[20]
Um esboço de linhagem evolutiva pode ser traçada a partir das espécies do Eoceno e do Oligoceno: ANTHRACOTHERIUM e ELOMERYX, até às espécies do Mioceno, MERYCOPOTAMUS e LIBYCOSAURUS, até ao último dos ANTRACOTERÍDEOS no Plioceno. MERYCOPOTAMUS, LIBYCOSAURUS e todos os hipopotamídeos podem ser considerados como um CLADO, sendo os LIBYCOSAURUS os mais aparentados aos hipopótamos. O seu antepassado comum terá vivido no Mioceno, há cerca de 20 milhões de anos atrás. Os hipopotamídeos estão, então, profundamente relacionados com a família dos ANTRACOTERÍDEOS. Acredita-se que os hipopotamídeos tenham evoluído já em África. O mais antigo grupo conhecido de hipopotamídeos é o género KENYAPOTAMUS, que viveu em África de há 16 a 8 milhões de anos atrás. Enquanto há registos de espécies de hipopotamídeos através da Ásia e da Europa, nenhum fóssil foi descoberto no continente americano, ainda que vários géneros de ANTRACOTERÍDEOS tenham emigrado para a América do Norte durante o Oligoceno inicial. De há 7,5 a 1,8 milhões de anos atrás, um antepassado comum dos modernos hipopótamos, o ARCHAEOPOTAMUS, viveu em África e no Médio Oriente.
Enquanto o registo fóssil dos hipopótamos ainda não está devidamente compreendido, os dois géneros modernos, HIPPOPOTAMUS e CHOEROPSIS  (por vezes designado HEXAPROTODON), terão divergido há não mais do que 8 milhões de anos atrás. Os taxonomistas discordam quanto à inclusão ou não do hipopótamo-pigmeu no género HEXAPROTODON  – aparentemente um género PARAFILÉTICO que incluiria também os hipopótamos asiáticos extintos que eram mais próximos dos géneros HIPPOPOTAMUS, ou CHOEROPSIS  – um antigo género basal.

RINOCERONTE






Os rinocerontes são grandes mamíferos perissodátilos  (com número ímpar de dedos em cada pata) caracterizados por apresentarem uma pele espessa e pregueada e um ou dois chifres sobre o nariz; é esta característica que está na origem do nome.
Estes animais habitam as savanas e florestas tropicais da África e Ásia pertencendo, na terminologia do safari, ao grupo de animais selvagens chamado de BIG FIVE, correspondente aos cinco animais mais difíceis de caçar: leão, leopardo, elefante, búfalo e rinoceronte. A caça desses animais está, contudo, oficialmente proibida na maior parte dos países onde ainda existem.
Processo de extinção
Os rinocerontes estão seriamente ameaçados de extinção  apesar da maior parte se encontrar em parques e reservas onde é proibida a sua caça. Infelizmente, tal não impede que os caçadores furtivos continuem a dizimá-los pelo elevado valor dos seus chifres nos mercados asiáticos. Os cornos de rinoceronte africano são ilegalmente contrabandeados para a Ásia como "produto medicinal" devido ao seu alegado «poder curativo», acreditando-se que têm propriedades afrodisíacas e curativos de cancro, pelo que chegam a valer no mercado negro 65 mil dólares por quilo.
Na África Austral foi constituída uma reserva transfronteiriça (Great Limpopo TRANSFRONTIER PARK) juntando o Parque Nacional KRUGER da África do Sul, o PARQUE NACIONAL GONAREZHOU do Zimbabué, devido a um acordo de conservação entre as três nações.
Contudo as autoridades não foram capazes de garantir a segurança das fronteiras que passaram a funcionar como entrada dos caçadores furtivos para as zonas vizinhas. No Parque KRUGER da África do Sul restavam apenas 69 indivíduos em Abril de 2013, depois de terem sido mortos 180 nos primeiros meses desse ano e 668 em 2012.
O responsável pelo Parque Nacional do Limpopo afirmou que os últimos 15 exemplares de rinocerontes existentes em Moçambique teriam sido mortos em Abril de 2013.
Nesse mesmo mês, Abril de 2013, um cidadão do Vietname abandonou nove cornos de rinoceronte no Aeroporto Internacional de Maputo  (Moçambique), pondo-se em fuga quando interpelado pela polícia. Em 2012 tinham sido apreendidos nas Filipinas seis cornos de rinoceronte escondidos em sacos de caju .
Em 2011 já tinha desaparecido no Vietname uma das duas únicas populações existentes da espécie rinoceronte-de-java. Dessa espécie subsistiam apenas na altura 50 indivíduos na ilha de Java  (Indonésia), que também se encontram em risco devido à caça furtiva.
Uma vez que as várias espécies de rinocerontes estão a desaparecer no meio selvagem, o mercado passou a alimentar-se de roubos em museus. A 17 de Abril de 2013 foram roubados do NATIONAL MUSEUM ARCHIVES, situado em SWORDS, região de Dublin, Irlanda, quatro cabeças de rinoceronte com um total de oito chifres, peças avaliadas em cerca de 500 mil euros.
Em Portugal também tinham sido roubadas em 2011 dois chifres que se encontravam no Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. O indivíduo que na altura foi detido era de nacionalidade irlandesa e já tinha sido preso na Alemanha pelo furto de dois chifres de rinoceronte.
Número dos chifres
Ao contrário do que muita gente pensa, nem todos os rinocerontes têm chifres. Por isso, os que possuem estão apenas na família RHINOCEROTIDAE.
E nem todas as espécies dessa família os tinham, como o ACERATHERIUM.
Os rinocerontes de dois chifres pertencem aos gêneros:
• CERATOTHERIUM
• COLEODONTA
• DICERORHINUS
• DICEROS
• MENOCERAS
Os rinocerontes de um chifre pertencem aos gêneros:
• ELASMOTHERIUM
• RHINOCEROS
• SINOTHERIUM
• PROSANTORHINUS
• IRANOTHERIUM
• SHENNONGTHERIUM
• TELEOCERAS
Os rinocerontes sem chifre pertencem aos gêneros
• HYRACHYUS
• ACERATHERIUM
• AMYNODON
• CHILOTHERIUM
• HYRACODON
• INDRICOTHERIUM
• METAMYNODON
• PARACERATHERIUM
Parece mas não é
Normalmente os rinocerontes de dois chifres possuem os mesmos dispostos uns atrás do outro, mas o gênero ARSINOITHERIUM os possui um do lado do outro e atualmente não são considerados rinocerontes, pois pertencem a outra ordem, EMBRYTHOPODA. Quem viu o filme A Era do Gelo, pode ter pensado que aquele animal com chifre duplo com pontas arredondadas era um rinoceronte, mas na verdade era um BRONTOTÉRIO, parente extinto.
Animais que se parecem com rinocerontes:
• BRONTOTHERIUM: São animais diferentes, mas pertencem também a ordem PERISSODACTYLA.
• TOXODON: Pertence à superordem MERIDIUNGULATA, mas pertence também a infraclasse PLACENTALIA.
• ARSINOITHERIUM: É parente distante do elefante, mas também pertence a infraclasse PLACENTALIA.
• DIPROTODON: É um marsupial.
• UINTATHERIUM: É um parente do rinoceronte.
Taxonomia
Há quatro famílias de rinocerontes:
• HYRACHYIDAE - o primeiro rinoceronte
• AMYNODONTIDAE - todos os representantes extintos;
• HYRACODONTIDAE - extintos  e
• RHINOCEROTIDAE - os únicos sobreviventes.
Abaixo os detalhes da taxonomia conhecida:
• Família HYRACHYIDAE  (extinta)
• Subfamília HYRACHYINAE
• Tribo HYRACHYINI
• HYRACHYUS
• Família AMYNODONTIDAE  (extinta)
• Subfamília AMYNODINTINAE
• Tribo AMYNODONTINI
• AMYNODON
• METAMYNODON
• Sem classificação RHINOCEROTIDA
• Família HYRACODONTIDAE  (extinta)
• Subfamília HYRACODONTINAE
• Tribo HYRACODONTINI
• HYRACODON
• Subfamília INDRICOTHERIINAE
• Tribo INDRICOTHERIINI
• BENARATHERIUM
• FORSTERCOOPERIA
• JUXIA
• URTINOTHERIUM
• INDRICOTHERIUM
• PARACERATHERIUM
• Família RHINOCEROTIDAE
• Subfamília RHINOCEROTINAE
• Tribo ACERATHERIINI
• ACERATHERIUM  (extinto)
• ACERORHINUS  (extinto)
• ALICORNOPS  (extinto)
• APHELOPS  (extinto)
• CHILOTHERIDIUM  (extinto)
• CHILOTHERIUM  (extinto)
• DROMOCERATHERIUM  (extinto)
• FLORIDACERAS  (extinto)
• HOPLOACERATHERIUM  (extinto)
• MESACERATHERIUM  (extinto)
• PERACERAS  (extinto)
• PLESIACERATHERIUM  (extinto)
• PROACERATHERIUM  (extinto)
• SINORHINUS  (extinto)
• SUBCHILOTHERIUM  (extinto)
• TRIGONIAS  (extinto)
• Tribo TELEOCERATINI
• APROTODON  (extinto)
• BRACHYDICERATHERIUM  (extinto)
• BRACHYPODELLA  (extinto)
• BRACHYPOTHERIUM  (extinto)
• DIACERATHERIUM  (extinto)
• PROSANTORHINUS  (extinto)
• SHENNONGTHERIUM  (extinto)
• TELEOCERAS  (extinto)
• Tribo RHINOCEROTINI
• GAINDATHERIUM  (extinto)
• RHINOCEROS - Rinoceronte-indiano e Rinoceronte-de-java
• Tribo DICERORHININI
• COELODONTA - Rinoceronte-lanudo  (extinto)
• DICERORHINUS - Rinoceronte-da-SUMATRA
• DIHOPLUS  (extinto)
• LARTETOTHERIUM  (extinto)
• STEPHANORHINUS  (extinto)
• Tribo CERATOTHERIINI
• CERATOTHERIUM - Rinoceronte-branco
• Tribo DICEROTINI
• DICEROS - Rinoceronte-negro
• PARADICEROS  (extinto)
• SUBFAMILÍA ELASMOTHERIINAE
• Tribo GULFOCERATINI
• GULFOCERAS  (extinto)
• Tribo DICERATHERIINI
• DICERATHERIUM  (extinto)
• SUBHYRACODON  (extinto)
• TRIGODON  (extinto)
• Tribo ELASMOTHERIINI
• BUGTIRHINUS  (extinto)
• CAEMENTODON  (extinto)
• ELASMOTHERIUM - Unicórnio gigante  (extinto)
• HISPANOTHERIUM  (extinto)
• HUAQINGTHERIUM  (extinto)
• IRANOTHERIUM - Rinoceronte-do-Irã  (extinto)
• KENYATHERIUM  (extinto)
• MENOCERAS  (extinto)
• OUGANDATHERIUM  (extinto)
• PARELASMOTHERIUM  (extinto)
• PROCOELODONTA  (extinto)
• SINOTHERIUM  (extinto)
• SUBFAMILÍA ARSINOITHERINAE
• Tribo ARSINOITHERIINI
• ARSINOITHERIUM  (extinto)

GIRAFA






O termo girafa (do árabe ZARAFA(t), pelo italiano GIRAFFA) é a designação dada a mamíferos ARTIODÁTILOS, ruminantes, do gênero GIRAFFA, da família dos girafídeos, no qual consta uma única espécie, a GIRAFFA CAMELOPARDALIS, ou camelo-leopardo, como eram chamadas pelos romanos quando elas existiam no norte da África, pois acreditava-se que vinham de uma mistura de uma fêmea camelo, com um macho leopardo. São ungulados com número par de dedos.
As girafas são os únicos membros de seu gênero e, juntas com os ocapis, formam a família GIRAFFIDAE. Atualmente estão listadas nove subespécies de girafa (ver em baixo), diferenciadas pela distribuição geográfica e pelo padrão das manchas. Essas várias subespécies de girafas agora habitam as terras secas ao sul do Saara. As girafas se distribuem em dois grupos: girafa-do-norte que são tricornes, isto é, com um corno nasal interocular e dois frontoparietais, apresentando pelagem predominantemente reticulada; e girafa-do-sul, sem corno nasal e a pelagem tem predominantemente malhas irregulares.
Os machos chegam a 6 metros de altura e com suas línguas preênseis que alcançam até 50 centímetros são capazes de pegar as folhas de acácias, por entre pontiagudos espinhos nos altos dos galhos, que são sua principal fonte de alimentação. Elas são capazes de comer as folhas das árvores até 6 metros de altura. Para poderem pastar, têm de afastar uma das outras as pernas dianteiras. Devido ao baixo teor nutritivo das folhas, as girafas precisam comer grandes quantidades e passam quase 20 horas por dia comendo. O comprimento do corpo pode ultrapassar os 2,25 metros e ainda possui uma cauda com 80 centímetros de comprimento, não contando com o pincel final. O seu peso pode ultrapassar os 500 quilogramas. Apesar do seu tamanho, a girafa pode atingir a velocidade de 47 km/h, suficiente para fugir de seus predadores.

Cabeça de uma girafa, os seus pescoços são os maiores dos animais atuais. Por causa de seu pescoço comprido e rígido, o sistema vascular das girafas possui particularidades como válvulas especiais que permitem que o fluxo sanguíneo alcance o cérebro (bastante afastado de seu coração) quando levantam a cabeça e evitam vertigens quando elas a baixam.
As girafas, como todos os mamíferos, possuem sete vértebras cervicais. Os seus pescoços, entretanto, são os maiores dos animais atuais, pelo que é pouco flexível. Por causa de seu pescoço comprido e rígido, seu sistema vascular possui a fama de ser o responsável pela maior pressão sanguínea do reino animal. O coração tem dois orifícios: um que bombeia sangue para o pulmão e membros e outro que alimenta o cérebro com o líquido vermelho. Este último é fino, visto que os músculos são maiores, assim a força necessária para o bombeamento não é tão grande como se imagina. No entanto, quando a girafa tem de beber água, a pressão sanguínea da cabeça aumenta muito e só não a mata devido a duas particularidades excecionais. Próximo ao cérebro, existe uma rede de vasos capilares que se ramificam em inúmeras veias menores dentro do crânio do animal. Eles servem para amortecer e distribuir essa sobrecarga de sangue jorrada pelo coração quando a girafa está com o pescoço abaixado. Além disso, uma veia grossa repleta de válvulas que retorna ao coração recebe parte do sangue bombeado. Quando o sangue pressiona demasiadamente os vasos da cabeça da girafa, ele é desviado para essa veia. Repleta de válvulas que se fecham com a passada do sangue, a veia alivia a pressão da cabeça e não deixa que o animal morra cada vez que deseja matar a sede.
Ambos os sexos possuem dois a quatro cornos curtos e recobertos por pele. O pelo da girafa é fulvo (amarelo-tostado, alourado) ou rosado, com grandes manchas de cor AMARRONZADA (exceto no ventre, onde o pelo é branco). As manchas pardas possuem um padrão único para cada indivíduo e o auxilia a se mimetizar por entre as sombras das árvores onde habita. Essas manchas também concentram, debaixo da pele, vasos sanguíneos e são responsáveis pela manutenção da temperatura corporal adequada das girafas. Elas possuem pernas longas, sendo as dianteiras mais altas que as traseiras, e número reduzido de costelas. O tempo de vida de uma girafa é de aproximadamente 15 a 20 anos. O couro das pernas é mais rijo e comprime mais os membros da girafa do que no restante do corpo. Isso permite que o sangue não se espalhe pelo tecido e músculos das patas, fazendo-o retornar ao coração. Caso isso não acontecesse, as pernas da girafa acumulariam muito sangue por serem longas demais e acabariam matando o animal.
Leões, hienas e leopardos são predadores dos filhotes de girafas, mas os adultos possuem porte e velocidade suficientes para limitar o número de predadores. As girafas quase não emitem sons. A gestação dura 420 a 450 dias, nascendo só uma cria de cada vez com uma altura que oscila entre 1,5 e 1,7 metros. Seus chifres nascem soltos no crânio para que não machuquem a mãe durante sua saída do útero. Os chifres se fundem com o osso durante a infância e adolescência. Os filhotes de girafas caem de uma altura de quase 2 metros quando a mãe está de pé durante o nascimento, o que é frequente. A vegetação da savana africana, entretanto, amortece a queda.
É um animal gregário constituindo rebanhos ou bandos pouco numerosos, andando rapidamente, a passo travado e associando-se aos antílopes e avestruzes nas savanas africanas ao sul do Saara.
As girafas dormem aproximadamente duas horas por dia e um pouco de cada vez. Elas dormem em pé e, apenas em ocasiões muito especiais, quando se sente completamente segura, se deita no chão para descansar. A girafa só se deita se estiver segura pois, caso um predador se aproxime, ela demora muito tempo para se levantar devido a seu tamanho. A girafa é bem grande, devido a um osso de seu pescoço e de suas pernas, que são bem alongadas.
Subespécies
• Girafa-reticulada ou girafa-da-Somália (G.C. RETICULATA) - manchas cor-de-fígado, reticuladas e separadas por linhas brancas muito nítidas; NE Quênia, Etiópia, Somália
• Girafa-angolana (G.C. ANGOLENSIS) - Angola, Zâmbia
• G.C. ANTIQUORUM - Sudão
• Girafa-do-Kilimanjaro ou girafa-MASAI (G.C. TIPPELSKIRCHI) - manchas irregulares, em forma de folha de videira, cor de chocolate; Quênia, Tanzânia
• Girafa-núbia (G.C. CAMELOPARDALIS) - manchas grandes, quadrangulares, cor-de-avelã, ausentes nas patas; E Sudão, NE Congo
• Girafa-de-Rothschild (G.C. ROTHSCHILDI) - manchas retangulares castanho-escuras, de contornos mal definidos; Uganda, Quênia
• Girafa-sul-africana (G.C. GIRAFFA) - África do Sul, Namíbia, Botswana, Zimbabwe, Moçambique
• Girafa-da-Rodésia (G.C. THORNICROFTI) - E Zâmbia
• Girafa-do-Chade -G.C. peralta - Chade
O género GIRAFFA tem ancestralmente uma outra espécie, GIRAFFA JUMAE, conhecida apenas do registo fóssil.
Predadores
Em alguns países da África, em seu primeiro ano de vida, sobretudo nos primeiros cinco meses, entre 50% e 70% dos filhotes de girafas são presas de predadores como leões,hienas, leopardos, cachorros-selvagens ou crocodilos.
Nicho ecológico
Alimentam-se de folhagem decídua, durante a época das chuvas (entre os meses de novembro e maio, quando o alimento é mais abundante) ou de espécies de folha perene, na estação da seca. Pequenos rebentos ou brotos e arbustos de acácias e mimosas também são apreciados. As girafas são adaptadas para explorar uma banda de vegetação localizada acima de 3 metros de altura, fora do alcance de todos os outros herbívoros. À exceção dos elefantes, as girafas exploram um nicho ecológico muito restrito e deste modo não têm competidores pelos escassos recursos da savana. Tem só um filhote por vez, que já nasce com 2 metros de altura.

ELEFANTE






Elefante é o termo genérico e popular pelo qual são denominados os membros da família ELEPHANTIDAE, um grupo de mamíferos proboscídeos elefantídeos, de grande porte, do qual há três espécies no mundo atual, duas africanas (LOXODONTA SP.) e uma asiática (ELEPHAS SP.). Há ainda os mamutes  (MAMMUTHUS SP.), hoje extintos. Até recentemente, acreditava-se que havia apenas duas espécies vivas de elefantes, o elefante-africano e o elefante-asiático, uma espécie menor. Entretanto, estudos recentes de DNASUGEREM que havia, na verdade, duas espécies de elefante-africano: LOXODONTA africana, da savana, e LOXODONTA CYCLOTIS, que vive nas florestas. Os elefantes são os maiores animais terrestres da atualidade pesando em média entre 4 a 6 toneladas e medindo em média quatro metros de altura. As suas características mais distintivas são as presas de marfim.
Características gerais
Os elefantes são animais herbívoros, alimentando-se de ervas, gramíneas, frutas e folhas de árvores. Dado o seu tamanho, um elefante adulto pode ingerir entre 70 a 150 kg de alimentos por dia. As fêmeas vivem em manadas de 10 a 15 animais, lideradas por uma matriarca, compostas por várias reprodutoras e crias de variadas idades. O período de gestação das fêmeas é longo (20 a 22 meses), assim como o desenvolvimento do animal que leva anos a atingir a idade adulta. Os filhotes podem nascer com 90 kg. Os machos adolescentes tendem a viver em pequenos bandos e os machos adultos isolados, encontrando-se com as fêmeas apenas no período reprodutivo.
Devido ao seu porte, os elefantes têm poucos predadores. Exercem uma forte influência sobre as savanas, pois mantêm árvores e arbustos sob controle, permitindo que pastagens dominem o ambiente. Eles vivem cerca de 60 anos e morrem quando seus molares caem, impedindo que se alimentem de plantas.
Os elefantes-africanos são maiores que as variedades asiáticas e têm orelhas mais desenvolvidas, uma adaptação que permite libertar calor em condições de altas temperaturas. Outra diferença importante é a ausência de presas de marfim nas fêmeas dos elefantes asiáticos.
Durante a época de acasalamento, o aumento da produção de testosterona deixa os elefantes extremamente agressivos, fazendo-os atacar até humanos. Acidentes com elefantes utilizados em rituais geralmente são causados por esse motivo. Cerca de 400 humanos são mortos por elefantes a cada ano.
Características físicas
Tromba

Um elefante pode fazer diversos usos de sua tromba (como coçar o olho, por exemplo)
A probóscide, ou tromba, é uma fusão de nariz e lábio superior, alongado e especializado para se tornar o apêndice mais importante e versátil de um elefante. A ponta da tromba dos elefantes-africanos está equipada de duas protuberâncias parecidas com dedos, enquanto os elefantes asiáticos têm apenas uma destas. Segundo os biologistas, a tromba do elefante pode ter cerca de quarenta mil músculos individuais , o que a faz sensível o suficiente para pegar numa única folha de relva, mas ao mesmo tempo forte o suficiente para arrancar os ramos de uma árvore. Algumas fontes indicam que o número correto de músculos na tromba de um elefante é mais perto de cem mil.
A maior parte dos herbívoros  (comedores de plantas, como o elefante) possuem dentes adaptados a cortar e arrancar plantas. Porém, à exceção dos muito jovens ou doentes, os elefantes usam sempre a tromba para arrancar a comida e levá-la até à boca. Eles pastam relva ou dirigem-se as árvores para pegar em folhas, frutos ou ramos inteiros. Se a comida desejada se encontra alta demais, o elefante enrola a sua tromba no tronco ou ramo e sacode até a comida se soltar ou, às vezes, simplesmente derruba completamente a árvore.
A tromba também é utilizada para beber. Elefantes chupam água pela tromba (até catorze litros de cada vez) e depois despejam-na para dentro da boca. Elefantes também inalam água para despejar sobre o corpo durante o banho. Sobre esta camada de água, o animal então despeja terra e lama, que servirá de protetor solar. Quando nada, a tromba também pode servir de tubo de respiração.
Este apêndice também é parte importante das interações sociais. Elefantes conhecidos cumprimentam-se enrolando as trombas, como se fosse um apertar de mãos. Eles também a usam enquanto brincam, para acariciar durante a corte ou em interações entre mãe e filhos, e para demonstrações de força - uma tromba levantada pode ser um sinal de aviso ou ameaça, enquanto uma tromba caída pode ser um sinal de submissão. Elefantes conseguem defender-se eficazmente batendo com a tromba em intrusos ou agarrando-os e atirando-os ao ar.
A tromba serve também para dar ao elefante um sentido muito apurado de cheiro. Levantando a tromba no ar e movimentando-a para um lado e para o outro, como um periscópio, o elefante consegue determinar a localização de amigos, inimigos ou fontes de comida.
Presas
As presas de um elefante são os segundos incisivos superiores. As presas crescem continuamente; as presas de um adulto médio crescem aproximadamente 15 cm por ano. As presas são utilizadas para escavar à procura de água, sal ou raízes; para retirar a casca das árvores, para comer a casca; para escavar a árvore ADANSONIA a fim de retirar-lhe a polpa; e para mover árvores ou ramos quando um trilho é criado. Para além disso, são utilizadas para marcar as árvores para demarcar o território e ocasionalmente como armas.
Tal como os humanos, que são tipicamente destros, os elefantes são ou destros ou canhotos. A presa dominante, chamada a presa mestra, é, em geral, mais curta e mais arredondada na ponta por causa do uso. Tanto os machos como as fêmeas dos elefantes-africanos têm grandes presas que podem chegar até acima dos 3 m em comprimento e pesar mais de 90 kg. Na espécie asiática, só os machos têm presas grandes. As fêmeas asiáticas têm presas que são ou muito pequenas ou que são simplesmente inexistentes. Os machos asiáticos podem ter presas tão longas como os machos africanos, mas são normalmente mais finas e leves; a presa registrada mais pesada de sempre pesava 39 kg. A presa de ambas as espécies e constituída principalmente de fosfato de cálcio na forma de apatite. Como um tecido vivo, é relativamente macia (comparado com outros minerais como a pedra), e a presa, também chamada de marfim, é apreciada por artistas pela sua ESCULTURABILIDADE. A procura de marfim de elefante tem sido uma das razões para o declínio dramático da população mundial de elefantes.
Alguns familiares extintos dos elefantes tinham presas também nos maxilares inferiores, como os GOMPHOTHERIUM, ou só nos maxilares inferiores, como os DEINOTHERIUM.
Dentes
Os dentes dos elefantes são muito diferentes dos dentes da maior parte dos mamíferos. Durante a sua vida eles têm normalmente 28 dentes. Estes são:
• Os dois incisivos superiores: as presas.
• Os precursores de leite das presas.
• 12 Pré molares, 3 em cada lado de cada maxilar.
• 12 molares, 3 em cada lado de cada maxilar.
Ao contrário da maior parte dos mamíferos, que desenvolvem dentes de leite e depois os substituem pelos dentes adultos permanentes, os elefantes têm ciclos de rotação de dentes durante a vida toda. Passado um ano as presas são permanentes, mas os molares são substituídos seis vezes durante a vida média de um elefante.[3] Os dentes não irrompem dos maxilares verticalmente como os dentes humanos. Em vez disso, eles têm uma progressão horizontal, como um tapete rolante. Os novos dentes crescem na parte de trás da boca, empurrando dentes mais velhos para a frente, onde eles se gastam com o uso e os restos caem. Quando um elefante se torna velho, os últimos dentes ficam gastos, e o elefante tem de comer apenas comida muito macia. Elefantes muito velhos frequentemente passam os últimos anos exclusivamente em zonas pantanosas onde conseguem encontrar folhas de relva molhada e macia. Por fim, quando os últimos dentes caem, os elefantes não conseguem comer e morrem de fome. Se não fosse pelo desgaste dos dentes, o metabolismo dos elefantes permitir-lhes-ia viver muito mais tempo. Como cada vez mais habitat é destruído, o território dos elefantes torna-se cada vez mais pequeno; os mais velhos já não têm a oportunidade de procurar comida mais apropriada e, por isso, morrem de fome mais novos.
As presas no maxilar inferior também são segundos incisivos. Estes cresciam bastante no DEINOTHERIUM e em alguns mastodontes, mas desaparecem cedo nos elefantes modernos sem irromperem.
Pele
Os elefantes são chamados de paquidermes, que significa "com pele espessa". A pele do elefante é extremamente rija na maior parte do seu corpo e tem cerca de 2,5 cm de espessura. No entanto, a pele à volta da boca e dentro das orelhas é muito fina. Normalmente, a pele dos elefantes-asiáticos está coberta por uma maior quantidade de pelos do que no caso do seu congênere africano, sendo esta característica mais acentuada nos mais novos. As crias asiáticas estão cobertas de uma espessa camada de pelo de coloração vermelho acastanhado. À medida que ficam mais velhas, este pelo escurece e fica menos denso, permanecendo na cabeça e na cauda.
Os elefantes têm, geralmente, cor acinzentada, embora os africanos pareçam frequentemente acastanhados ou avermelhados por se rolarem na lama ou em solo dessa cor. Rolar na lama é um comportamento social de grande importância para os elefantes, além de que a lama forma uma espécie de protetor solar, protegendo a pele dos efeitos nocivos da radiação ultravioleta. No entanto, a pele de um elefante é mais sensível do que parece. Sem banhos regulares de lama para se proteger de queimaduras, mordidas de incesto, e perda de humidade, a pele de um elefante sofreria importantes danos. Depois do banho, o elefante, normalmente, utiliza a sua tromba para atirar terra sobre o seu corpo para o secar, formando uma nova camada protetora. Como os elefantes estão limitados a áreas cada vez menores, há progressivamente menos água disponível, pelo que os diversos grupos aproximam-se cada vez mais, o que origina conflitos quanto à utilização destes recursos limitados.
Rolar na lama também ajuda a pele a regular a temperatura. Os elefantes têm muita dificuldade em libertar calor através da pele porque, em relação ao seu tamanho, têm pouca superfície de pele. A razão da massa de um elefante para a área de superfície de pele é muito menor do que num ser humano.
Patas

Elefante usando as patas para esmagar e comer uma melancia
As patas de um elefante são pilares verticais, pois precisam suportar o grande peso do animal.
Os pés de um elefante são quase redondos. Os elefantes africanos têm três unhas em cada pé traseiro e quatro em cada um dos pés da frente. Os elefantes indianos têm quatro unhas em cada pé traseiro e cinco em cada um dos da frente. Por baixo dos ossos dos pés existe uma camada gelatinosa que funciona como uma almofada de ar ou amortecedor. Por esta razão, um elefante pode ficar de pé por longos períodos de tempo sem se cansar. Aliás, elefantes africanos raramente se deitam, exceto quando estão doentes ou aleijados. Elefantes indianos, em contraste, deitam-se frequentemente. Em baixo do peso do elefante, o pé incha, mas desincha quando o peso é removido. Um elefante pode afundar na lama, mas consegue retirar as patas facilmente porque os seus pés reduzem de tamanho quando levantados.
O elefante é um bom nadador, mas não consegue trotar, saltar ou galopar. Tem dois andares: o caminhar e um passo mais acelerado que partilha características com a corrida. Quando caminha, as patas funcionam como pêndulos, com as ancas e os ombros subindo e descendo quando o pé é assente no chão. O passo mais acelerado não corresponde à definição habitual de corrida, porque os elefantes têm sempre pelo menos uma pata assente no chão. Como ambas as patas traseiras ou as dianteiras estão no ar ao mesmo tempo, este passo é semelhante às patas traseiras e as dianteiras correrem de cada vez.
Andando a passo normal, um elefante anda a cerca de 3 a 6 km/h mas pode chegar a 40 km/h em corrida.
Orelhas
As grandes orelhas do elefante são também importantes para a regulação da temperatura. As orelhas de um elefante são feitas de material muito fino esticado sobre cartilagem e uma vasta rede de vasos sanguíneos. Nos dias quentes, os elefantes agitam constantemente as orelhas, criando uma brisa suave. Esta brisa arrefece a os vasos sanguíneos à superfície, e o sangue mais fresco circula então pelo resto do corpo do animal. O sangue que entra as orelhas do animal pode ser arrefecido até cerca de 6 graus Celsius antes de retornar ao resto do corpo. As diferenças entre as orelhas dos elefantes africanos e asiáticos pode ser explicada, em parte, pela sua distribuição geográfica. Os elefantes africanos estão mais próximos do equador, onde o clima é mais quente. Por isso, têm orelhas maiores. Os asiáticos vivem mais para norte, em climas mais frescos, e portanto, têm orelhas menores.
As orelhas também são usadas para intimidação e pelos machos durante a corte. Se um elefante quer intimidar um rival ou predador, estende as orelhas para parecer maior e mais imponente. Durante a época da procriação, os machos emitem um odor de uma glândula situada entre os olhos. Joyce Poole, um conhecido investigador sobre os elefantes, propôs a teoria que os machos abanam as orelhas para espalhar este "perfume elefantino" até grandes distâncias.

ÁGUIA






A águia é o nome comum dado a algumas aves de rapina da família ACCIPITRIDAE, geralmente de grande porte, carnívoras, de grande acuidade visual. O nome é atribuído a animais pertencentes a gêneros diversos e não corresponde a nenhuma clade TAXONÔMICA. Por vezes, dentro de um mesmo gênero ocorrem espécies conhecidas popularmente por gavião ou búteo. Suas principais presas são: coelhos, esquilos, cobras, marmotas e outros animais, principalmente roedores, de pequeno porte. Algumas espécies alimentam-se de ovos de outros pássaros e peixes.
Costumam fazer seus ninhos em locais altos como, por exemplo, topo de montanhas e árvores de grande porte. Existem diversas espécies de águias, as mais conhecidas são: Águia-de-cabeça-branca, águia-gritadeira, águia marcial, águia-malaia, águia-dourada-europeia e águia-imperial-ibérica.
Entre suas características, possui peso de até 6 kg, comprimento de até um metro, com envergadura de até um metro e meio, põe até três ovos a cada vez, com tempo de incubação de 35 dias, e atinge a velocidade de aproximadamente 100Km/h. Águias costumam ser utilizados como símbolos em vários contextos e culturas. A águia vive, em média, de 50 a 65 anos em cativeiro ; bem menos se estiver na Natureza.
Algumas espécies de águia
• Família PANDIONIDAE
• PANDION - Águia-pesqueira
• Família ACCIPITRIDAE
• HALIAETUS
• Águia-rabalva  (H. ALBICILLA)
• Águia-de-cabeça-branca  (H. LEUCOCEPHALUS)
• Águia-pesqueira-africana  (H. VOCIFER)
• CIRCAETUS
• Águia-cobreira  (C. GALLICUS)
• BUTEO
• Águia-de-asa-redonda  (B. BUTEO)
• AQUILA
• Águia-POMARINA  (A. POMARINA)
• Águia-gritadeira  (A. CLANGA)
• Águia-imperial-ibérica  (A. ADALBERTI)
• Águia-imperial-oriental  (A. HELIACA)
• Águia-real  (A. CHRYSAETOS)
• Águia-de-BONELLI  (A. FASCIATUS)
• Águia-calçada  (A. PENNATUS)
• Águia-rapace  (A. RAPAX)
• Águia-das-estepes  (A. NIPALENSIS)
• Águia-negra-africana ou águia-de-VERRAUX  (A. VERRAUXI)
• GERANOAETUS
• Águia-chilena  (G. MELANOLEUCUS)
• HARPYHALIAETUS
• Águia-cinzenta  (H. CORONATUS)
• Águia-solitária  (H. SOLITARIUS)
• Harpia  (H. HARPYJA)
• HARPAGORNIS
• Águia-de-HAAST  (H. MOOREI) - extinta
• PITHECOPHAGA
• Águia-das-filipinas  (P. JEFFERYI)

LOBO






Lobo  (CANIS LUPUS) é o maior membro selvagem da família CANIDAE. É um sobrevivente da Era do Gelo, originário do Pleistoceno Superior, cerca de 300 mil anos atrás. O sequenciamento de DNA e estudos genéticos reafirmam que o lobo cinzento é ancestral do cão doméstico (CANIS LUPUS FAMILIARIS), contudo alguns aspetos desta afirmação têm sido questionados recentemente. Uma série de outras subespécies do lobo foram identificadas, embora o número real de subespécies ainda esteja em discussão. Os lobos-cinzentos são tipicamente predadores ápice nos ecossistemas que ocupam. Embora não sejam tão adaptáveis à presença humana como geralmente ocorre com as demais espécies de canídeos, os lobos se desenvolveram em diversos ambientes, como florestas temperadas, desertos, montanhas, tundras, taigas, campos e até mesmo em algumas áreas urbanas. O lobo-cinzento, o lobo-vermelho  (CANIS RUFUS) e o lobo-etíope  (CANIS SIMENSIS) são as únicas três espécies classificadas como lobos. Os demais lobos pertencem a subespécies.
Etimologia
"Lobo" originou-se do termo latino LUPU.
Características
O peso e tamanho dos lobos variam muito em todo o mundo, tendendo a aumentar proporcionalmente com a latitude, como previsto pela teoria de CHRISTIAN BERGMANN. Em geral, a altura, medida a partir dos ombros, varia de 60 a 95 centímetros. O peso varia geograficamente. Em média, os lobos europeus pesam 38,5 kg; os lobos da América do Norte, 36 kg; os lobos indianos e árabes, 25 kg. Embora raros, lobos com mais de 77 kg foram encontrados no Alasca, Canadá, e na antiga União Soviética. O maior lobo cinzento registrado na América do Norte foi morto em 70 MILE RIVER, no leste-central do Alasca em 12 de julho de 1939 e pesava 79 kg, . Já o lobo de maior peso registrado na Europa foi morto após a Segunda Guerra Mundial na área KOBELYAKSKI da região POLTAVSKIJ na RSS Ucraniana e pesava 86 kg. O lobo é sexualmente dimórfico, as fêmeas de uma população típica de lobos normalmente pesam 20% menos que os machos. As fêmeas também têm o focinho e a fronte mais estreitos, pernas ligeiramente mais curtas e revestidas com pelos lisos, e ombros menos massivos. Os lobos-cinzentos medem de 1,30 a 2 metros do focinho à ponta da cauda, a qual, por sua vez, representa cerca de 1/4 do comprimento total do corpo.

Esqueleto de um lobo
Os lobos são capazes de percorrer longas distâncias com uma velocidade média de 10 quilômetros por hora e são conhecidos por atingir velocidades próximas a 65 quilômetros por hora durante uma perseguição. Há registro de uma loba cinzenta realizando saltos de 7 metros ao perseguir suas presas. As garras das patas dianteiras são maiores que as das patas traseiras e possuem um quinto dedo, ausente nestas últimas. As patas do lobo cinzento são adaptadas para uma ampla variedade de terrenos, especialmente os cobertos de neve. Existe uma fina camada de pele separando cada dedo, permitindo ao animal deslocar sobre a neve com mais facilidade em comparação às suas presas. Os lobos cinzentos são digitígrados. O tamanho relativamente grande de suas patas contribui para distribuir o peso do corpo de maneira balanceada sobre superfícies nevadas. Pelos e unhas reforçam a aderência em superfícies escorregadias e vasos sanguíneos especiais mantêm as patas aquecidas no frio extremo. Glândulas odoríferas localizadas entre os dedos de um lobo deixam um rastro de marcadores químicos por onde ele passa, ajudando-o a caminhar de forma eficaz por grandes extensões ao mesmo tempo que mantém os outros lobos informados do seu paradeiro. Ao contrário dos cães e dos coiotes ocidentais, lobos cinzentos têm uma menor densidade de glândulas sudoríparas em suas patas. Esta característica também está presente nos coiotes canadenses do leste, que possuem ascendência com o lobo moderno. Os lobos que vivem em Israel são únicos, por sua população apresentar indivíduos com dois dedos de suas patas fundidos, um traço, acreditava-se, exclusivo do cão selvagem africano. O uivo de um lobo cinzento pode ser ouvido a uma distância de até 1 quilômetro.

Um lobo de coloração CINZA-AMARRONZADA
Os lobos têm pelos volumosos repartidos em duas camadas. A primeira camada é constituída por  pelos resistentes que repelem água e sujeira. A segunda camada forma uma pelagem densa, isolante à água. O subpelo é espalhado pelo corpo na forma de grandes tufos no final da primavera ou início do verão  (com variações anuais). Um lobo, muitas vezes, esfrega-se contra objetos, como pedras e galhos, para induzir a pele a soltar os pelos. O subpelo é geralmente cinza, independentemente da aparência do revestimento exterior. Lobos têm pelagens distintas no inverno e no verão que se alternam na primavera e no outono. Tanto as fêmeas quanto os machos tendem a manter seus pelos do inverno até a primavera.
A coloração da pelagem é muito variada, do  cinza ao cinza-AMARRONZADO, conforme notada pelo espectro canino para o branco, vermelho, marrom e preto. Estas cores tendem a se misturar em muitas populações, de forma que os indivíduos de coloração mista sejam os mais predominantes. Entretanto não é incomum haver um indivíduo ou mesmo uma população inteira de lobos inteiramente de uma cor (geralmente todo preto ou todo branco). Com exceção da Itália, onde os lobos negros podem representar de 20 a 25% da população, os lobos MELANÍSTICOS raramente são comuns fora do continente norte-americano. De acordo com exames genéticos, a cor da pelagem preta é resultado de uma mutação surgida primeiramente nos cães domésticos e mais tarde incorporada aos lobos através de cruzamentos. Uma pelagem multicor, caracteristicamente, não possui nenhum padrão específico. A cor da pele, por vezes, reflete o ambiente onde vive a população de lobos. Assim, por exemplo, lobos brancos são muito mais comuns em áreas com cobertura de neve. Lobos em processo de envelhecimento adquirem um tom acinzentado em sua pelagem. Atribui-se, frequentemente, à coloração da pelagem do lobo uma forma funcional de camuflagem. Isto pode não ser totalmente correto, afirmam alguns cientistas, cujos estudos relacionam a combinação de cores com a comunicação corporal dos lobos.

Os olhos na cor amarelo-ouro são comuns em lobos adolescentes
Ao nascer, os filhotes de lobo tendem a ter pelos mais escuros e as íris dos olhos azuis,  as quais mudarão para um amarelo-ouro, ou cor de laranja quando os filhotes tiverem entre 8 e 16 semanas de idade. Os poderosos focinhos compridos são características marcantes dos lobos, distinguindo-os facilmente de outros canídeos, como os coiotes e chacais dourados, que têm os focinhos mais estreitos e pontiagudos. Nos lobos, a incisura anterior do osso nasal não possui uma saliência medial, ao contrário do observado nos chacais. Enquanto há apenas uma pequena expressão do cíngulo na borda externa do primeiro molar superior nos lobos, este é amplo e claramente marcante em chacais.
Lobos diferem de cães domésticos em vários aspetos. Anatomicamente, os lobos têm ângulos orbitais menores do que os cães (acima de 53 graus para cães, com menos de 45 graus para lobos) e uma capacidade cerebral comparativamente maior. Patas maiores, olhos amarelados, pernas mais longas e os dentes maiores distinguem os lobos adultos de outros canídeos, especialmente cães. Além disso, uma glândula supra caudal está presente na base da cauda dos lobos, mas não em muitos cães.
Lobos e cães maiores possuem algumas partes da dentição idênticas. O maxilar possui seis incisivos, dois caninos, oito pré-molares e quatro molares. A mandíbula tem seis incisivos, dois caninos, oito pré-molares e seis molares. Os quarto pré-molares superiores e primeiros molares inferiores constituem os dentes CARNASSIAIS, que são instrumentos essenciais para o corte da carne. Os dentes caninos também são muito importantes, na medida em que detêm e subjugam a presa. Capazes de suportar até 10 000 quilo pascais de pressão, os dentes de um lobo são as suas principais armas, bem como suas principais ferramentas. Isso é aproximadamente o dobro da pressão que um cão doméstico de dimensão semelhante pode proporcionar. A dentição dos lobos cinzentos é mais adequada para esmagar ossos comparada a de outros canídeos modernos, embora não seja tão especializada, como a encontrada em hienas. A saliva dos lobos ajuda a reduzir a infeção bacteriana em feridas e acelerar a regeneração dos tecidos.
Sentidos
Os lobos possuem uma audição bastante apurada, a ponto de serem capazes de ouvir a queda de folhas das árvores durante o outono. Sua visão noturna é a mais aguçada da família dos canídeos.
Reprodução e ciclo de vida
O acasalamento ocorre, geralmente, entre os meses de janeiro e abril. Quanto maior a latitude, mais tarde ocorre. Uma alcateia produz, em média, uma única ninhada, salvo nos casos em que os reprodutores machos se relacionam com uma ou mais fêmeas subordinadas. Durante a época de acasalamento, os animais reprodutores tornam-se muito carinhosos uns com os outros, antecipando o ciclo de ovulação da fêmea. A tensão aumenta à medida que os lobos maduros da alcateia sentem-se instados a acasalar. Durante este período, os membros do casal líder de reprodução, denominados de macho e fêmea alfa, podem se ver forçados a dissuadir que outros lobos se acasalem com eles. Incestos raramente ocorrem, embora a pressão por endogamia seja um problema para os lobos em SASKATCHEWAN e ISLE ROYALE. Quando a fêmea reprodutora entra no cio (que ocorre uma vez por ano e dura de 5 a 14 dias), ela e seu companheiro passam um longo tempo em reclusão. Feromonas na urina da fêmea e o inchaço da sua vulva são sinais percebidos pelo macho de que ela está no cio. A fêmea é recetiva nos primeiros dias de estro, período durante o qual ela lança o revestimento do útero. Mas quando ela começa a ovular novamente, ocorre o acasalamento com o parceiro.

Um lobo filhote em companhia de sua mãe
O período de gestação varia de 60 a 63 dias. Os filhotes, que pesam cerca de 0,5 kg ao nascerem, são cegos, surdos e completamente dependentes de suas mães. O tamanho médio da ninhada é de 5 a 6 crias, embora há dois registros soviéticos de ninhadas com 17 filhotes. Os filhotes residem na toca e permanecem lá por dois meses. A toca geralmente fica em terreno alto perto de uma fonte de água aberta, e tem uma câmara aberta no final de um túnel subterrâneo ou encosta que pode ter até alguns metros de comprimento. Durante este tempo, os filhotes se tornam mais independentes e começam a explorar a área imediatamente ao redor da toca. Com cerca de cinco semanas de idade, afastam-se gradualmente do local de nascimento até a um quilômetro de distância. A taxa de crescimento dos lobos é mais lenta do que a dos coiotes e cães selvagens. Eles começam a comer alimentos regurgitados depois de duas semanas se alimentando exclusivamente de leite, que nos lobos tem menos gordura e arginina e mais proteína do que o leite canino. A esta altura, seus dentes de leite surgem e eles estão totalmente desmamados após 10 semanas. Durante as primeiras semanas de desenvolvimento, normalmente a mãe permanece sozinha com sua ninhada, mas, eventualmente, a maioria dos membros do grupo contribuem, de alguma forma, para a criação dos filhotes. Após dois meses, os filhotes inquietos são levados para um local de encontro, onde podem permanecer em segurança quando a maioria dos adultos saem para caçar. Um ou dois adultos ficam para trás para garantir a segurança dos filhotes. Depois de mais algumas semanas, caso se demonstrem capazes, é permitido aos filhotes se juntarem aos adultos na caçada, e eles têm prioridade sobre qualquer animal caçado. Tomar parte das caçadas é uma maneira de permitir aos filhotes a prática dos rituais de dominação/submissão, que serão essenciais para a sua futura sobrevivência na alcateia. Os filhotes participam apenas como observadores da caçada até atingirem cerca de oito meses de idade, quando se tornam maduros o suficiente para uma participação ativa.
Os lobos geralmente atingem a maturidade sexual após dois ou três anos, idade em que muitos deles são obrigados a abandonar os seus locais de nascimento e a procurar companheiros e territórios próprios. Lobos que atingem a maturidade vivem geralmente de seis a dez anos na natureza, enquanto, em cativeiro, eles podem atingir até o dobro da idade. As elevadas taxas de mortalidade refletem na baixa expectativa de vida dos lobos. As crias podem morrer pela escassez de alimento ou pela ação de predadores, como ursos, tigres, lobos adultos ou outros animais selvagens. As principais causas de mortalidade de lobos são a caça, os acidentes envolvendo veículos e os ferimentos ocorridos durante o ataque a suas presas. Apesar de lobos adultos poderem, ocasionalmente, ser mortos por outros predadores, os grupos de lobos rivais são muitas vezes os inimigos mais perigosos, excetuando-se os seres humanos.
Doenças

A postura e expressão facial do lobo-árabe é defensiva e alerta os outros lobos para serem cautelosos
As doenças mais comuns transmitidas por lobos incluem a brucelose, febre, leptospirose e carbúnculo. Os lobos são importantes hospedeiros da raiva na Rússia, Irã, Afeganistão, Iraque e Índia.[37] Embora os lobos não sejam vetores das doenças, eles podem contraí-las de outras espécies. Os lobos tornam-se extremamente agressivos quando infetados, podendo morder várias pessoas em um único ataque. Antes de uma vacina ser desenvolvida, as mordidas eram quase sempre fatais. Atualmente, as mordidas de lobos raivosos podem ser tratadas, mas a gravidade dos ataques dos lobos raivosos às vezes podem resultar em morte. Uma mordida perto da cabeça da vítima faz a doença agir muito rapidamente para que o tratamento faça efeito. Ataques raivosos tendem a aumentar de número no inverno e na primavera. Com a redução da raiva na Europa e América do Norte, poucos ataques de lobos raivosos foram registrados, embora alguns ainda ocorram anualmente no Oriente Médio. Os lobos também carregam o coronavírus canino, cuja infeção é mais prevalente nos meses de inverno.
Os lobos registrados na Rússia transportavam mais de 50 tipos diferentes de parasitas nocivos, incluindo ECHINOCOCCUS, cisticercose e COENURUS. Os lobos também são portadores de TRICHINELLA SPIRALIS. Entre 1993-94, 148 carcaças de lobos perto de FAIRBANKS, no Alasca, foram examinadas e 36% (aproximadamente 54 carcaças) estavam infetadas. A prevalência de TRICHINELLA SPIRALIS em lobos é significativamente relacionada com a idade. Os lobos podem hospedar o NEOSPORA CANINUM, fato de particular interesse para os agricultores, pois a doença pode ser transmitida para animais domésticos, que, infetados, têm de 3 a 13 vezes mais chance de abortar em comparação àqueles livres da doença.
Apesar do hábito de portar doenças perigosas, grandes populações de lobos não são frequentemente acometidas por surtos de epizootias, como ocorre com outros canídeos sociais. Isto se deve principalmente ao hábito dos lobos infetados de se afastarem de suas alcateias, evitando assim o contágio em massa.

TUBARÃO BRANCO






Tubarão ou cação é o nome dado vulgarmente aos peixes de esqueleto cartilaginoso e um corpo hidrodinâmico (com exceção dos SQUATINIFORMES, HEXANCHIFORMES e ORECTOLOBIFORMES) pertencente à superordem SELACHIMORPHA. Os primeiros tubarões conhecidos viveram há aproximadamente 400 milhões de anos.[1]
Os tubarões se diversificaram em aproximadamente 375 espécies  (no Brasil são conhecidas 88), variando em tamanho desde o menor, o tubarão-lanterna anão, ETMOPTERUS PERRYI, uma espécie de no máximo 21 centímetros de comprimento , ao tubarão-baleia, RHINCODON TYPUS, o maior, que atinge cerca de 12 metros e que se alimenta por filtragem apenas de plâncton, lulas e pequenos peixes. Os tubarões são encontrados em todos os mares  e são comuns em profundidades até 2000 metros.
Geralmente não vivem em água doce, com algumas exceções, como o tubarão-cabeça-chata e o tubarão de água doce que podem viver tanto em água salgada ou água doce. Respiram através de cinco ou sete fendas branquiais e possuem uma cobertura de escamas placoides, que protegem sua pele dos danos e dos parasitas, e melhoram a sua hidrodinâmica, permitindo que o tubarão se mova mais rápido. Eles também possuem vários conjuntos de dentes substituíveis.
As espécies mais conhecidas, são os tubarão-branco, o tubarão-tigre, o tubarão-azul, o tubarão-MAKO e o tubarão-martelo são superpredadores, no topo da cadeia alimentar subaquática. No entanto, sua sobrevivência está sob séria ameaça por causa da pesca e outras atividades humanas.

Etimologia e significado
Até o século XVI tubarões eram conhecidos por marinheiros como "cães marinhos". A palavra portuguesa "tubarão" e o termo espanhol "TIBURÓN" são bastante similares e em ambas as línguas a etimologia é incerta. Durante o século XVI, em decorrência das navegações dos espanhóis e portugueses por águas tropicais, muitos relatos sobre a diversidade e quantidade desses peixes popularizaram os dois termos na Península Ibérica e posteriormente, o termo TIBURÓN também foi usado, sem tradução, em livros em francês, alemão e inglês. Não se sabe ao certo se foram os espanhóis que tomaram uma palavra caraíba e cunharam o termo TIBURÓN ou se foram os portugueses que criaram tubarão a partir de uma palavra do aruaque. Outras fontes apontam a origem tupi-guarani através do termo UPERÚ  (ou IPERÚ) com a aglutinação de t- inicial, originando o português "tubarão" e posteriormente o espanhol "TIBURÓN".
Embora inicialmente os termos ibéricos tenham sido usados em toda a Europa, as outras línguas europeias adotam atualmente nomes diferentes. A origem do nome inglês "SHARK" também é incerta. Uma teoria é que ela deriva da palavra XOC da língua Iucateque, cuja pronúncia 'SHOK' chega bem próximo da palavra "SHARK". Evidência para esta etimologia vem do OXFORD ENGLISH DICTIONARY, que registra que o nome SHARK foi usado pela primeira vez após o marinheiro Sir John Hawkins exibir um espécime em Londres, em 1569 e usou a palavra "SHARKE" para se referir aos grandes tubarões do Mar do Caribe.
Uma outra etimologia diz que o sentido original da palavra era a de "predador, aquele que ataca os outros" a partir da palavra SCHORCK do alemão, uma variante de SCHURKE"VILÃO, canalha", que mais tarde foi aplicado para os peixes devido ao seu comportamento predatório.
Segundo o Dicionário Aurélio de Língua Portuguesa, na variante brasileira, tubarão é a designação geral dos grandes seláquios, peixes de corpo alongado e de nadadeiras peitorais moderadamente desenvolvidas; que tem como sinônimo cação e esqualo e como plural tubarões. Na definição popular tubarão pode significar também comerciante ganancioso. Segundo o dicionário online Priberam, tubarão também pode significar pessoa que come muito ou indivíduo que obteve muitos cargos rendosos.
Anatomia 

Características físicas gerais do tubarão.
Dentes
Dentes de tubarão são incorporados nas gengivas e não diretamente no maxilar, e são constantemente substituídos ao longo da vida. Diversas linhas de dentes substitutos crescem em um sulco na parte interna da mandíbula e progressivamente avançam como em uma "escada rolante"; os tubarões perdem em média 6.000 dentes por ano e chegam a perder 30.000 durante toda sua vida. A taxa de substituição de dentes varia de uma vez a cada oito ou dez dias a vários meses. Na maioria das espécies os dentes são substituídos um por vez, exceto no peixe-charuto, ISISTIUS, onde toda a linha de dentes é substituída simultaneamente.
A forma do dente depende da dieta: os tubarões que se alimentam de moluscos e crustáceos têm densos dentes achatados para esmagarem, aqueles que se alimentam de peixes tem dentes afiados para prenderem e aqueles que se alimentam de presas maiores, como os mamíferos, têm os dentes inferiores pontiagudos para prender e os dentes superiores triangulares e com bordas serrilhadas para cortar. Os dentes dos que se alimentam de plâncton, como o tubarão-elefante são menores e não funcionais.